pedia da vida que se fizesse de dois poemas apenas,
o primeiro, extenso, do trabalho dos dias
de unir o astro imposto com o posto e descanso disso
o segundo, do espanto imaturo
do dia sem autor entre os dias somados por igual
os outros, todos, do retorno ao fogo
e a mão aberta de os devolver
pedia
o longo para viver nele
o curto para morrer dele.


Hugo Carvalheira Neves, Certa Parentela